segunda-feira, 19 de abril de 2021

O Legado de Theodor Wiederspahn (parte I)


Quando no Brasil se pensa em “tradição germânica” muitos logo querem traduzir isso no sotaque esganiçado de um agricultor falando em hunsriqueano, da vestimenta rude do colono etc. Mas não é este o legado germânico – este é, na verdade, um estereótipo inventado para nos limitar e nos ridicularizar e, assim, nos controlar. O germânico no Brasil nem sempre foi agricultor e nem sempre foi inculto. Pelo contrário, o império brasileiro via nos imigrantes alemães um potencial intelectual, cultural e artístico a ser aproveitado, totalmente carente no Brasil e na coroa portuguesa, que também buscavam nas cortes germânicas alianças importantes para se manter e competir com a Inglaterra, a Espanha e a França.

Nossos primeiros imigrantes foram diplomatas, médicos, engenheiros, cientistas, arquitetos, generais, professores etc., e todos estes foram fundamentais para a construção histórica, político-estratégica, militar, intelectual e cultural do Estado brasileiro, sobretudo a partir do início do século XIX, quando o Brasil se consolidava e se projetava internacionalmente (graças ao potencial germânico aproveitado na alta hierarquia). Mais tarde nossos germânicos se tornaram os melhores industriários e os melhores políticos e líderes de Estado, estadistas, do Brasil.

Hoje vamos ver um pouco de Theodor Alexander Josef Wiederspahn (1878-1952), um importante arquiteto, engenheiro e construtor do sul do Brasil. “Theo Wiederspahn”, como ficou conhecido, nasceu em Wiesbaden, na Alemanha, onde estudou, e veio ao Brasil em 1908 para a construção da Via Férrea do Rio Grande do Sul (entre Montenegro e Caxias do Sul). Este projeto não aconteceu, por complicações da parte brasileira, mas o arquiteto seguiu projetando e construindo muitos outros prédios dos mais importantes para os estados do sul do Brasil, sobretudo para as cidades de Porto Alegre, Novo Hamburgo e Cruz Alta no Rio Grande do Sul.

Wiederspahn se formou em Königliche Baugewerkschule, em Idestein, e na Alemanha já iniciou sua carreira ao construir um prédio para a firma de seu pai. Onze dela sobreviveram à Segunda Guerra Mundial e são hoje patrimônio histórico-cultural da Alemanha.

Em 1908 ele veio ao Brasil e se fixou em Porto Alegre, onde está a maioria de suas maiores obras. Trabalhou para o escritório de Engenharia Rudolf Ahrons e depois como profissional autônomo, e a partir de então se tornou um dos arquitetos mais importantes do Brasil e sobretudo da região de Porto Alegre. Fundou em 1914 a primeira Escola de Artes e Ofícios (Gewerkschule) e o primeiro Sindicato de Arquitetos e Construtores do Rio Grande do Sul.

Entre 1914 e 1918 tivemos a Primeira Guerra Mundial, o que gerou complicações para os descendentes de alemães no Brasil, que foram perseguidos e sabotados. Mesmo assim, Wiederspahn foi responsável pelas maiores obras do Rio Grande do Sul, devido à sua qualidade. Podemos citar as seguintes:

Delegacia Fiscal da Receita Federal, hoje o Museu de Arte do Rio Grande do Sul



Escola de Medicina (Famed) da UFRS, hoje UFRGS

Correios e Telégrafos, hoje o Memorial do Rio Grande do Sul

Prédio da antiga Previdência do Sul, hoje uma agência do Banco Safra

Prédio da Cervejaria Bopp, hoje pertencente ao Shopping Total

Apesar da enorme contribuição de Theo Wiederspahn para o Brasil, ele a vida toda sofreu tentativa de sabotagem por radicais do “Brasil luso-moreno” que buscavam rivalizar com e até mesmo destruir os povos germânicos. Como os germânicos sempre se destacaram, seja nas artes, na inteligência, nas obras públicas, nos negócios, os mestiços e os lusos sempre se sentiram vulneráveis diante do potencial germânico e passaram a trabalhar contra eles, minando, perseguindo, visando criar rupturas e destruir a unidade dos povos germânicos, além, claro, de impedir a todo custo que os germânicos pudessem trabalhar livremente e obtivessem o merecido sucesso. Theo Wiederspahn relatou algumas experiências desse tipo e afirmou que sempre esteve em uma “lista negra” no Brasil, entre aqueles expoentes que eram permanentemente sabotados e sofriam ataques no meio dos negócios e das relações políticas. Infelizmente, diferentemente do resto do mundo, no Brasil quem é superior e se destaca acaba perseguido e sabotado, indústrias germânicas sofrem falências misteriosas, artistas e políticos germânicos são silenciados; no Brasil, os germânicos só recebem aplausos se negarem e cuspirem em sua raça, em seu povo, renegarem sua família e sua tradição e condenarem sua gente à miséria e desunião – mas o povo germânico, se unido, é capaz de reverter esse destino e se tornar grande mesmo fora da Alemanha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário