Quando no Brasil se pensa em “tradição germânica” muitos
logo querem traduzir isso no sotaque esganiçado de um agricultor falando em
hunsriqueano, da vestimenta rude do colono etc. Mas não é este o legado
germânico – este é, na verdade, um estereótipo inventado para nos limitar e nos
ridicularizar e, assim, nos controlar. O germânico no Brasil nem sempre foi
agricultor e nem sempre foi inculto. Pelo contrário, o império brasileiro via
nos imigrantes alemães um potencial intelectual, cultural e artístico a ser
aproveitado, totalmente carente no Brasil e na coroa portuguesa, que também
buscavam nas cortes germânicas alianças importantes para se manter e competir
com a Inglaterra, a Espanha e a França.
Nossos primeiros imigrantes foram diplomatas, médicos,
engenheiros, cientistas, arquitetos, generais, professores etc., e todos estes
foram fundamentais para a construção histórica, político-estratégica, militar,
intelectual e cultural do Estado brasileiro, sobretudo a partir do início do
século XIX, quando o Brasil se consolidava e se projetava internacionalmente
(graças ao potencial germânico aproveitado na alta hierarquia). Mais tarde
nossos germânicos se tornaram os melhores industriários e os melhores políticos
e líderes de Estado, estadistas, do Brasil.
Hoje vamos ver um pouco de
Theodor Alexander Josef Wiederspahn (1878-1952), um importante arquiteto,
engenheiro e construtor do sul do Brasil. “Theo Wiederspahn”, como ficou conhecido,
nasceu em Wiesbaden, na Alemanha, onde estudou, e veio ao Brasil em 1908 para a
construção da Via Férrea do Rio Grande do Sul (entre Montenegro e Caxias do
Sul). Este projeto não aconteceu, por complicações da parte brasileira, mas o
arquiteto seguiu projetando e construindo muitos outros prédios dos mais
importantes para os estados do sul do Brasil, sobretudo para as cidades de
Porto Alegre, Novo Hamburgo e Cruz Alta no Rio Grande do Sul.
Wiederspahn se formou em Königliche
Baugewerkschule, em Idestein, e na Alemanha já iniciou sua carreira ao
construir um prédio para a firma de seu pai. Onze dela sobreviveram à Segunda
Guerra Mundial e são hoje patrimônio histórico-cultural da Alemanha.
Em 1908 ele veio ao Brasil e se
fixou em Porto Alegre, onde está a maioria de suas maiores obras. Trabalhou
para o escritório de Engenharia Rudolf Ahrons e depois como profissional
autônomo, e a partir de então se tornou um dos arquitetos mais importantes do Brasil
e sobretudo da região de Porto Alegre. Fundou em 1914 a primeira Escola de
Artes e Ofícios (Gewerkschule) e o primeiro Sindicato de Arquitetos e
Construtores do Rio Grande do Sul.
Entre 1914 e 1918 tivemos a
Primeira Guerra Mundial, o que gerou complicações para os descendentes de
alemães no Brasil, que foram perseguidos e sabotados. Mesmo assim, Wiederspahn
foi responsável pelas maiores obras do Rio Grande do Sul, devido à sua
qualidade. Podemos citar as seguintes:
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Delegacia Fiscal da Receita Federal, hoje o Museu de Arte do Rio Grande do Sul
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| Escola de Medicina (Famed) da UFRS, hoje UFRGS |
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| Correios e Telégrafos, hoje o Memorial do Rio Grande do Sul |
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| Prédio da antiga Previdência do Sul, hoje uma agência do Banco Safra |
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| Prédio da Cervejaria Bopp, hoje pertencente ao Shopping Total |
Apesar da enorme contribuição
de Theo Wiederspahn para o Brasil, ele a vida toda sofreu tentativa de
sabotagem por radicais do “Brasil luso-moreno” que buscavam rivalizar com e até
mesmo destruir os povos germânicos. Como os germânicos sempre se destacaram,
seja nas artes, na inteligência, nas obras públicas, nos negócios, os mestiços
e os lusos sempre se sentiram vulneráveis diante do potencial germânico e
passaram a trabalhar contra eles, minando, perseguindo, visando criar rupturas
e destruir a unidade dos povos germânicos, além, claro, de impedir a todo custo
que os germânicos pudessem trabalhar livremente e obtivessem o merecido
sucesso. Theo Wiederspahn relatou algumas experiências desse tipo e afirmou que
sempre esteve em uma “lista negra” no Brasil, entre aqueles expoentes que eram permanentemente
sabotados e sofriam ataques no meio dos negócios e das relações políticas.
Infelizmente, diferentemente do resto do mundo, no Brasil quem é superior e se
destaca acaba perseguido e sabotado, indústrias germânicas sofrem falências
misteriosas, artistas e políticos germânicos são silenciados; no Brasil, os
germânicos só recebem aplausos se negarem e cuspirem em sua raça, em seu povo,
renegarem sua família e sua tradição e condenarem sua gente à miséria e
desunião – mas o povo germânico, se unido, é capaz de reverter esse destino e se
tornar grande mesmo fora da Alemanha.