domingo, 2 de maio de 2021

A tentativa do governo brasileiro de suprimir a cultura alemã no país

Lauro Severiano Müller (08/11/1963-30/07/1926)

Um dos casos mais interessantes da tentativa do governo brasileiro de suprimir a cultura alemã é Lauro Müller, filho de imigrantes alemães nascido em Santa Catarina. Lauro Severiano Müller foi um militar, engenheiro, político (governador de SC) e diplomata brasileiro.

A família Müller fazia parte do primeiro contingente de imigrantes alemães que se fixou na colônia de São Pedro de Alcântara em 1829. Lauro foi ministrado pelo professor público Justino José da Silva. Depois frequentou a escola alemã de Itajaí e mais tarde foi aluno do professor alemão Bruno Scharn, em Blumenau.

Com 14 anos incompletos seu pai quis fazê-lo agrimensor, mas ele preferiu seguir para o Rio de Janeiro por ter morando ali um tio, onde se empregou em uma casa de ferragens na Rua do Teatro. Convivia com os livros nas horas de lazer. Seu tio Leopoldo Riegel, notando o gosto pelo estudo do jovem, matriculou-o no Liceu de Humanidade de Niterói.

Müller foi obrigado a renunciar o cargo de Ministro das Relações Exteriores por conta de sua ascendência alemã durante a Primeira Guerra Mundial e, logo depois, tendo sido reeleito governador de SC, foi também pressionado a renunciar para dar lugar a Hercílio Luz. Na época, o governo brasileiro temia um "perigo alemão", momento em que se acreditava que os teuto-brasileiros estavam tramando um plano contra a soberania do Brasil. Curiosamente, Müller havia defendido a neutralidade do Brasil durante a guerra.

Neste mesmo período, Müller já havia recebido o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Harvard e recebido indicação para a Academia Brasileira de Letras. Consta ainda que sua carreira de governador foi "extremamente hábil e proveitosa" para o Brasil, ainda que breve.

O ressentimento com os imigrantes alemães no Brasil é antigo, mas acabou crescendo ainda mais com a implantação do Estado Novo pelo presidente do Brasil, Getúlio Vargas, em 1937 e que vigorou até 1946. Vargas havia se alinhado aos Estados Unidos em troca de financiamento para a indústria nacional brasileira e acabou cedendo à pressão estadunidense de executar reformas culturais em prol de um "Brasil moreno" do samba, do carnaval, do futebol e da malandragem (que se cristalizou com o Zé Carioca) -- o completo avesso de qualquer país que visa se posicionar com independência e autonomia no cenário internacional.

Até hoje o Brasil sofre uma crise identitária, moral e espiritual gerada a longo prazo por essas reformas culturais impostas goela abaixo no povo brasileiro. Uma aversão aos germânicos cresce na medida em que o método, o trabalho, a retidão, a honestidade, a sacralidade, a inteligência, são atacados como elementos "não brasileiros". Infelizmente muitos querem um Brasil incapaz de crescer e se desenvolver. O elemento germânico, o único realmente capaz de levar a cabo um projeto rebelde nacional de desenvolvimento, é permanentemente sabotado pela grande mídia, pelos latifundiários de origem lusa e pela classe financeira apátrida que se acredita cidadã estadunidense.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

A Influência germânica em Porto Alegre

Quem anda pelas ruas da capital gaúcha, especialmente pelo centro da cidade, pode notar a influência da germânica em alguns prédios históricos de Porto Alegre. Há um grande número de construções antigas, de diferentes estilos arquitetônicos, projetadas por alemães ou por descendentes de imigrantes que aportaram na cidade ou nas regiões próximas. Entre eles podemos destacar o Mercado Público, idealizado pelo arquiteto alemão Friedrich Heydtmann, o Theatro São Pedro, projetado pelo alemão Philip von Normann, a Casa de Cultura Mário Quintana, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, a Casa Ely (atualmente Lojas Tumelero) e o prédio onde hoje se localiza o Shopping Total, projetados por Theo Wiederspahn. Até mesmo o Chalé da Praça XV (que fica em frente ao Mercado Público), foi construído no estilo bávaro, em uma clara influência germânica.

Casa de Cultura Mario Quintana

Detalhe interno da Casa de Cultura Mario Quintana 1

Detalhe interno da Casa de Cultura Mario Quintana 2

Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS)

Parte interna do MARGS

Detalhe da fachada do MARGS: frontispício com estátua de Ceres e Hermes, obra de Alfred Adloff

Mercado Público de Porto Alegre

Edifício Ely (Lojas Tumelero)

Edifício Ely durante a noite

Theatro São Pedro

Parte interna do Theatro São Pedro

Theatro São Pedro em 1865

Chalé da Praça XV

Parte interna do Chalé da Praça XV

Além do aspecto puramente arquitetônico, temos também o Parque Germânia, criado em referência à chegada dos primeiros imigrantes alemães no RS. O parque, inaugurado em 2006, possui 14 hectares e é um dos principais locais de lazer de Porto Alegre.

Parque Germânia

Vista aérea do Parque Germânia

Porém, a influência germânica não se limita à arquitetura. Na área industrial a Chocolates Neugebauer, a Wallig e Geral, o Grupo Gerdau, as Indústrias Renner, a Cervejaria Continental e os Fogões Berta foram criados por descendentes de imigrantes alemães.

Antiga fábrica da Neugebauer

Antigas instalações da fábrica de pregos Hugo Gerdau, precursora da Gerdau S.A.

Já no setor de transportes, temos a VARIG e a Viação Ouro e Prata, e na área do ensino se destacam o Colégio Concórdia, o Colégio Farroupilha (antiga Deutsche Schule) e o Colégio Pastor Dohms. E no setor comercial, a Casa Bromberg.

Otto Ernst Meyer, fundador da VARIG

Colégio Pastor Dohms

Ainda é bom lembrar que os sobrenomes de origem alemã, austríaca e suíça não são incomuns na cidade. Alcunhas como Mallmann, Schaeffer (e suas variações), Schmidt, Schneider, Kauer, Weber e Müller, entre vários outros, fazem parte do rol de nomes comumente encontrados nos cidadãos da capital.

Muito da cultura portoalegrense teve influência da mentalidade e da cultura germânicas, que só não é maior devido à perseguição sofrida pelos ítalo-germânicos durante os anos 40. O jornalista Flávio Alcaraz Gomes certa vez escreveu que “Se não tivesse havido aquela estúpida perseguição aos teuto e ítalo-brasileiros, nos tempos da II Guerra Mundial – um verdadeiro genocídio cultural – o Sul do Brasil poderia hoje ser oficialmente trilíngue, com toda a sua riqueza pluricultural!"  E ele tinha razão. Provavelmente não só Porto Alegre, mas toda a região Sul seria ainda mais culturalmente rica não fosse a perseguição e tentativa de dissolução da influência cultural e das identidades germânica e italiana. Foi um erro que até hoje causa consequências ao Brasil, pois os imigrantes alemães e italianos contribuíram muito para o desenvolvimento econômico, social e cultural dos países para os quais emigraram. Alguns argumentam que tal medida se fez necessária porque havia muita ligação dos imigrantes com a terra dos seus ancestrais (o que não está errado, seria um erro se os descendentes de alemães e italianos virassem as costas aos seus antepassados). Porém, essa perseguição institucionalizada propositalmente coincidiu com o início da forte influência cultural norte-americana, tanto nas Forças Armadas como na mídia, e hoje essa cultura degenerada importada dos EUA está dissolvendo não só os aspectos culturais ítalo-germânicos como a cultura gaúcha, as tradições nordestinas, a cultura caipira do centro do país e todas as demais culturas autóctones brasileiras. Ao que parece, foi tudo planejado...

segunda-feira, 19 de abril de 2021

O Legado de Theodor Wiederspahn (parte I)


Quando no Brasil se pensa em “tradição germânica” muitos logo querem traduzir isso no sotaque esganiçado de um agricultor falando em hunsriqueano, da vestimenta rude do colono etc. Mas não é este o legado germânico – este é, na verdade, um estereótipo inventado para nos limitar e nos ridicularizar e, assim, nos controlar. O germânico no Brasil nem sempre foi agricultor e nem sempre foi inculto. Pelo contrário, o império brasileiro via nos imigrantes alemães um potencial intelectual, cultural e artístico a ser aproveitado, totalmente carente no Brasil e na coroa portuguesa, que também buscavam nas cortes germânicas alianças importantes para se manter e competir com a Inglaterra, a Espanha e a França.

Nossos primeiros imigrantes foram diplomatas, médicos, engenheiros, cientistas, arquitetos, generais, professores etc., e todos estes foram fundamentais para a construção histórica, político-estratégica, militar, intelectual e cultural do Estado brasileiro, sobretudo a partir do início do século XIX, quando o Brasil se consolidava e se projetava internacionalmente (graças ao potencial germânico aproveitado na alta hierarquia). Mais tarde nossos germânicos se tornaram os melhores industriários e os melhores políticos e líderes de Estado, estadistas, do Brasil.

Hoje vamos ver um pouco de Theodor Alexander Josef Wiederspahn (1878-1952), um importante arquiteto, engenheiro e construtor do sul do Brasil. “Theo Wiederspahn”, como ficou conhecido, nasceu em Wiesbaden, na Alemanha, onde estudou, e veio ao Brasil em 1908 para a construção da Via Férrea do Rio Grande do Sul (entre Montenegro e Caxias do Sul). Este projeto não aconteceu, por complicações da parte brasileira, mas o arquiteto seguiu projetando e construindo muitos outros prédios dos mais importantes para os estados do sul do Brasil, sobretudo para as cidades de Porto Alegre, Novo Hamburgo e Cruz Alta no Rio Grande do Sul.

Wiederspahn se formou em Königliche Baugewerkschule, em Idestein, e na Alemanha já iniciou sua carreira ao construir um prédio para a firma de seu pai. Onze dela sobreviveram à Segunda Guerra Mundial e são hoje patrimônio histórico-cultural da Alemanha.

Em 1908 ele veio ao Brasil e se fixou em Porto Alegre, onde está a maioria de suas maiores obras. Trabalhou para o escritório de Engenharia Rudolf Ahrons e depois como profissional autônomo, e a partir de então se tornou um dos arquitetos mais importantes do Brasil e sobretudo da região de Porto Alegre. Fundou em 1914 a primeira Escola de Artes e Ofícios (Gewerkschule) e o primeiro Sindicato de Arquitetos e Construtores do Rio Grande do Sul.

Entre 1914 e 1918 tivemos a Primeira Guerra Mundial, o que gerou complicações para os descendentes de alemães no Brasil, que foram perseguidos e sabotados. Mesmo assim, Wiederspahn foi responsável pelas maiores obras do Rio Grande do Sul, devido à sua qualidade. Podemos citar as seguintes:

Delegacia Fiscal da Receita Federal, hoje o Museu de Arte do Rio Grande do Sul



Escola de Medicina (Famed) da UFRS, hoje UFRGS

Correios e Telégrafos, hoje o Memorial do Rio Grande do Sul

Prédio da antiga Previdência do Sul, hoje uma agência do Banco Safra

Prédio da Cervejaria Bopp, hoje pertencente ao Shopping Total

Apesar da enorme contribuição de Theo Wiederspahn para o Brasil, ele a vida toda sofreu tentativa de sabotagem por radicais do “Brasil luso-moreno” que buscavam rivalizar com e até mesmo destruir os povos germânicos. Como os germânicos sempre se destacaram, seja nas artes, na inteligência, nas obras públicas, nos negócios, os mestiços e os lusos sempre se sentiram vulneráveis diante do potencial germânico e passaram a trabalhar contra eles, minando, perseguindo, visando criar rupturas e destruir a unidade dos povos germânicos, além, claro, de impedir a todo custo que os germânicos pudessem trabalhar livremente e obtivessem o merecido sucesso. Theo Wiederspahn relatou algumas experiências desse tipo e afirmou que sempre esteve em uma “lista negra” no Brasil, entre aqueles expoentes que eram permanentemente sabotados e sofriam ataques no meio dos negócios e das relações políticas. Infelizmente, diferentemente do resto do mundo, no Brasil quem é superior e se destaca acaba perseguido e sabotado, indústrias germânicas sofrem falências misteriosas, artistas e políticos germânicos são silenciados; no Brasil, os germânicos só recebem aplausos se negarem e cuspirem em sua raça, em seu povo, renegarem sua família e sua tradição e condenarem sua gente à miséria e desunião – mas o povo germânico, se unido, é capaz de reverter esse destino e se tornar grande mesmo fora da Alemanha.

sábado, 17 de abril de 2021

Herzlich willkomen zu Legado Germânico

Saudações a todos os leitores do blog Legado Germânico, especialmente aos nossos queridos homens e mulheres, adultos e crianças pertencentes à comunidade germânica no Brasil!

Este blog deseja reunir informações pertinentes à nossa comunidade, divulgar as obras, os fundamentos, a história, a tradição, os costumes, a cultura, o conhecimento, enfim, o legado de nosso povo. Desse modo, o blog quer acolhê-los e informá-los da melhor forma possível, mas não apenas isto: o blog quer também proporcionar a nosso povo um caminho por onde ele poderá se guiar no futuro incerto e sombrio.

Na capa os senhores podem ver a fotografia de Lucas Pedruzzi mostrando o prédio do Edifício Ely, atual Tumelero, um prédio histórico brasileiro da cidade de Porto Alegre/RS. Localizado na rua Conceição nº 283, próximo à rodoviária, foi projetado e construído entre 1922 e 1923 pelo arquiteto alemão-brasileiro Theodor Wiederspahn para ser uma loja do comerciante Nicolau Ely. Este monumento de arquitetura é considerado patrimônio cultural e um ponto turístico da cidade. Foi construído em alvenaria em estilo neo-renascentista alemão. Largo Edgar Koetz, Porto Alegre - RS/Brasil.