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| Lauro Severiano Müller (08/11/1963-30/07/1926) |
Um dos casos mais interessantes da tentativa do governo brasileiro de suprimir a cultura alemã é Lauro Müller, filho de imigrantes alemães nascido em Santa Catarina. Lauro Severiano Müller foi um militar, engenheiro, político (governador de SC) e diplomata brasileiro.
A família Müller fazia parte do primeiro contingente de imigrantes alemães que se fixou na colônia de São Pedro de Alcântara em 1829. Lauro foi ministrado pelo professor público Justino José da Silva. Depois frequentou a escola alemã de Itajaí e mais tarde foi aluno do professor alemão Bruno Scharn, em Blumenau.
Com 14 anos incompletos seu pai quis fazê-lo agrimensor, mas ele preferiu seguir para o Rio de Janeiro por ter morando ali um tio, onde se empregou em uma casa de ferragens na Rua do Teatro. Convivia com os livros nas horas de lazer. Seu tio Leopoldo Riegel, notando o gosto pelo estudo do jovem, matriculou-o no Liceu de Humanidade de Niterói.
Müller foi obrigado a renunciar o cargo de Ministro das Relações Exteriores por conta de sua ascendência alemã durante a Primeira Guerra Mundial e, logo depois, tendo sido reeleito governador de SC, foi também pressionado a renunciar para dar lugar a Hercílio Luz. Na época, o governo brasileiro temia um "perigo alemão", momento em que se acreditava que os teuto-brasileiros estavam tramando um plano contra a soberania do Brasil. Curiosamente, Müller havia defendido a neutralidade do Brasil durante a guerra.
Neste mesmo período, Müller já havia recebido o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Harvard e recebido indicação para a Academia Brasileira de Letras. Consta ainda que sua carreira de governador foi "extremamente hábil e proveitosa" para o Brasil, ainda que breve.
O ressentimento com os imigrantes alemães no Brasil é antigo, mas acabou crescendo ainda mais com a implantação do Estado Novo pelo presidente do Brasil, Getúlio Vargas, em 1937 e que vigorou até 1946. Vargas havia se alinhado aos Estados Unidos em troca de financiamento para a indústria nacional brasileira e acabou cedendo à pressão estadunidense de executar reformas culturais em prol de um "Brasil moreno" do samba, do carnaval, do futebol e da malandragem (que se cristalizou com o Zé Carioca) -- o completo avesso de qualquer país que visa se posicionar com independência e autonomia no cenário internacional.
Até hoje o Brasil sofre uma crise identitária, moral e espiritual gerada a longo prazo por essas reformas culturais impostas goela abaixo no povo brasileiro. Uma aversão aos germânicos cresce na medida em que o método, o trabalho, a retidão, a honestidade, a sacralidade, a inteligência, são atacados como elementos "não brasileiros". Infelizmente muitos querem um Brasil incapaz de crescer e se desenvolver. O elemento germânico, o único realmente capaz de levar a cabo um projeto rebelde nacional de desenvolvimento, é permanentemente sabotado pela grande mídia, pelos latifundiários de origem lusa e pela classe financeira apátrida que se acredita cidadã estadunidense.

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